segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Saudades

Eu vinha contando minha vida, cada passo que eu dava e pedra que eu tropeçava. Aí eu fiquei deprimida o suficiente pra não querer escrever. Quem me conhece sabe que pra eu deixar de escrever a depressão tem que ser drástica. Sim, a depressão não foi tão emblemática, mas eu simplesmente não tinha vontade. Eu morava sozinha, eu morava longe de tudo e eu estava feliz. Depois eu não morava sozinha, mas vivia em uma prisão azul com vista para a belíssima arquitetura romana: foi aí que Nero apareceu e colocou tudo abaixo e eu quis voltar pra casa, junto com meus pais. Eu fui forte o suficiente pra me manter em pé um semestre longe deles. Não que eu seja fraca, mas eu estava perdida e fui ficando cada vez mais perdida, abandonada. Eu conquistei amigos para a vida toda em Curitiba, pessoas especiais que eu lembro todo dia e mando beijos mentais para elas. Mas eu conheci amigos para a vida toda que me viraram as costas nos piores momentos. Momentos que eu me senti na 3ª série do ensino fundamental. Fui eu mesma ao ponto de chorar e ficar horas no telefone com minha melhor amiga. Fui fraca o suficiente pra chorar e fui brava o suficiente pra erguer a cabeça e continuar vivendo por mais quatro meses em um ambiente hostil. É aprendizado. Se não fosse assim seria de outro jeito. De qualquer forma, celebrando a fidelidade àqueles tempos, não jogo pragas ou coisas do gênero naqueles pessoas. Eu lembro dos bons momentos, dos ótimos momentos e dos grandes momentos que eles compartilharam comigo. Foi em Curitiba que eu aprendi a ir churrascos sem carne e aprendi a cumprimentar as pessoas de longe, já que é preciso muita parcimônia para nos aproximarmos daqueles humanos ariscos. Nunca foi difícil pra eu me moldar aos lugares e aprender a conviver com pessoas diferentes - mas eu nunca fui muito paciente. Eu aprendi a cozinhar, viajar horas de ônibus. Aprendi a ir pra São Paulo sempre que possível e também amei muito ver minha melhor amiga a cada três meses. Foi morando sozinha que eu aprendi a beber cerveja, a viver à noite, a dirigir e ir ao James. E, principalmente, foi voltando a morar em São Leopoldo que eu aprendi a valorizar cada um dos amigos que cresceram comigo. A amiga que eu briguei tantas vezes, mas que sempre esteve presente na minha vida. Minha amiga que não tem noção nenhuma, mas que é ela mesma sempre, mesmo que eu desaprove os atos insanos dela. Minha amiga que eu tanto odiei quando eu éramos idiotas o suficente para nos odiarmos; minha amiga que me ensinou tanto, me visitou tantas vezes em casa, enlouqueceu minha mãe chamando-a de tia e me ensinou, principalmente, a ir pra festa. Minha amiga, como as outras, insana, adepta ao trago e aos inferninhos que ouve tantas vezes e que me acolhe tantas vezes na sua casa. Todas que pessoas que eu amo tanto, que me amam tanto e que se importam comigo. É muito bom morar longe de casa e sentir saudades. É muito bom, senão melhor, voltar pra minha casa vermelha, e voltar à velha rotina que eu já enjoei. Agora eu quero ir embora de novo, mas eu sei que vou voltar e vou vir aqui escrever cada passo, mesmo que longo.

Um comentário:

Scharlau Friends disse...

Quase chorei Jeh, serio.
Ta é mentira, mas concordo contigo quanto aos amigos.
Daria minha vida pelos meus, e tenho certeza que a recíproca é verdadeira.
Os parentes não nos escolheram pra fazer parte da vida deles, os amigos sim.